domingo, 9 de outubro de 2011

O possível diagnóstico da dengue com alface transgênica

Cientistas da Universidade de Brasília e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estão testando uma tecnologia que permite detectar em menos de 24 horas se uma pessoa está – ou esteve – contaminada por dengue. O segredo: folhas de alface geneticamente modificada.

De acordo com o coordenador do Programa de Prevenção e Controle da Dengue no DF, Ailton Domício, atualmente são necessárias cerca de 72 horas para diagnosticar a doença, e o processo para identificar o possível local de contágio demora cerca de uma semana.

O teste em desenvolvimento é feito a partir da manipulação genética de alfaces para fabricação de fragmentos do vírus causador da doença. O especialista da Embrapa em plantas transgênicas Francisco Aragão disse que a pesquisa vem sendo desenvolvida desde 2008.
A técnica consiste na inoculação de partículas do vírus na planta. Os cientistas obtêm um material que, combinado ao sangue, revela se a pessoa contraiu a doença. Futuramente, segundo o grupo, o método pode inspirar uma “vacina comestível”.

Após divisões celulares na planta, é possível extrair material e juntá-lo ao soro do sangue da pessoa a ser examinada. “Se o vírus estiver presente, a proteína [extraída da planta] vai capturá-lo. A gente faz uma reação de mudança de cor que só acontece na presença do vírus.”
O professor da Universidade de Brasília Tatsuya Nagata aponta outra vantagem no uso de alfaces para montar o primeiro kit nacional de diagnóstico da dengue: a dispensa de cobaia animal.Os testes em curso são realizados por uma doutoranda orientada por Nagata no banco de sangue da Fundação Oswaldo Cruz. Segundo os cientistas, os resultados têm sido “positivos”.
Os pesquisadores estimam que serão necessários mais seis meses para considerar satisfatória a quantidade de soros sanguíneos examinados para validar a pesquisa. Depois, eles devem passar mais cinco anos tentando fazer com que a técnica também permita identificar com qual dos quatro sorotipos da doença a pessoa foi infectada.
Aragão disse que não é possível dizer quando a tecnologia estará disponível para a população, porque depende da avaliação dos órgãos reguladores. O especialista não soube informar os custos da pesquisa.

Vacina ‘comestível’

Outra preocupação dos cientistas é testar os efeitos da ingestão de alface modificada. Segundo Aragão, provavelmente a pessoa vai ficar protegida contra a doença ou, havendo excesso de agente vacinal, ficar imune à vacina que existe. "Mas não tem risco de pegar dengue comendo essa alface."

Embora não seja o objetivo da pesquisa, ele afirma que a tecnologia pode inspirar outros cientistas a formularem uma vacina comestível. O especialista diz, porém, que a dificuldade de controlar a variação da quantidade de agentes vacinais de uma planta para outra pode inviabilizar o desenvolvimento desta forma de imunização.

" Depende da forma como é cultivada, depende do clima. Mesmo em condições controladas pode haver variações e tem [mudanças] também ao longo da vida da planta. [Para desenvolver uma vacina] tem que ter um controle muito bom da quantidade do agente vacinal", afirmou.

FONTE: G1

sábado, 8 de outubro de 2011

Estudo mostra como bactéria passou de ameaça inofensiva a praga mortal

Cientistas da Escola de Medicina da Universidade Feinberg, nos Estados Unidos, descobriram o caminho que levou uma bactéria que causa apenas irritação no estômago a evoluir para um organismo letal, responsável por disseminar a peste bubônica.
A descoberta foi divulgada na edição desta semana da publicação "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS), da Academia de Ciências norte-americana.
Com uso de técnicas de manipulação de DNA, os cientistas descobriram o caminho que levou dois organismos com apenas uma célula a serem tão distintos quanto à doença que provocam, mas tão parecidos geneticamente. O primeiro chama-se Yersinia pseudotuberculosis e funciona como ancestral do Yersinia pestis - responsável pela peste bubônica.
O Y. pseudotuberculosis vive no estômago de humanos e causa apenas irritação no local, sendo que muitas pessoas não apresentam sintomas.
Já a bactéria Y. pestis provoca de 1 mil a 3 mil casos de peste bubônica por ano no mundo e está presente em todos os continentes, com exceção da Antártida, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O estudo pode dar pistas sobre novas formas de atacar o agente causador da peste bubônica, que segundo os autores ainda é uma doença em atividade no mundo. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos classifica o Y. pestis como uma ameaça de categoria A - grupo ao qual pertencem o antraz, o vírus da varíola e o Ebola.
Para os cientistas, a diferença na agressividade dessas duas subespécies pode estar em pequenas moléculas conhecidas como sRNAs, envolvidas em muitos processos dentro de ambas as bactérias.
A equipe identificou 150 sRNAs, sendo apenas seis deles exclusivos da Y. pseudotuberculosis. A ausência dessas moléculas no Y. pestis é apontada pelos pesquisadores como possíveis responsáveis pela virulência. Essa característica teria surgido nas bactérias da peste bubônica entre 1,5 mil e 20 mil anos atrás.

Cientistas desenvolvem técnica que pode criar células-tronco personalizadas

Uma equipe de cientistas de Nova York afirmou nesta quarta-feira que estão mais perto de conseguirem criar a chamada célula-tronco personalizada.
A técnica envolve pegar um óvulo humano e combiná-lo com uma célula de outra pessoa.
Segundo os pesquisadores, os resultados podem ser usados para tratar várias doenças, já que seria possível produzir, de maneira personalizada para cada paciente, células saudáveis para substituir as doentes.
Em um artigo para a revista científica Nature, a equipe Fundação de Células-Troncos de Nova York disse ter usado uma tecnologia de clone (chamada transferência de núcleos de célula somática) para criar células-tronco embrionárias para combinar com o DNA específico de cada pessoa.
Potencial
As células-tronco têm um grande potencial na medicina, à medida que podem ser desenvolvidas em qualquer outro tipo de célula no corpo.
Ao se criar células do coração, por exemplo, talvez seja possível reparar os danos causados por um ataque cardíaco.
Já há alguns testes clínicos em curso. O primeiro feito com células-tronco embrionárias da Europa está sendo feito em Londres e é relacionado a um tratamento para a perda progressiva da visão.
O teste, porém, não usa as próprias células dos pacientes e por isso é necessário o uso de imunossupressores para evitar o risco de rejeição. E é por isso que o teste da equipe americana é tão importante.
Interrogação
O pesquisador Dieter Egli, do laboratório da Fundação de Células-Troncos de Nova York, afirma que havia até então um grande ponto de interrogação sobre a possibilidade de a técnica do clone ser usada em seres humanos.
'Outras equipes já haviam tentado, mas falharam', disse, explicando que seu grupo também não conseguiu ser bem-sucedido ao usar as técnicas tradicionais.
Quando eles removeram o material genético de um óvulo e o substituíram com cromossomos de uma célula epitelial, o óvulo se dividiu, mas não passou do estágio de 6 a 12 células.
No entanto, quando eles deixaram o material genético no próprio óvulo e adicionaram os cromossomos epiteliais, o óvulo se desenvolveu até o estágio do blastocisto, que pode contar até 100 células e é usado como fonte para células-tronco embrionárias.
'As células produzidas por nossa equipe ainda não são para uso terapêutico. Ainda há muito a ser feito', afirmou Egli à BBC. 'Vemos isso como um passo adiante na estrada, porque agora sabemos que óvulos podem transformar células adultas especializadas, como células da pele, em células-tronco. '


FONTE: G1

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Diagnóstico de Câncer em cães

Trabalho da médica veterinária Luciana Moura Campos Pardini, recém-graduada pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), avaliou amostras de carcinoma de células escamosas, tipo de câncer de pele que atinge os cães. A enfermidade tem como um de seus fatores etiológicos a exposição crônica à radiação UV, que acaba por induzir mutações no genoma, capazes de resultar no surgimento do câncer.

O objetivo do estudo foi identificar nas amostras tumorais, a presença de um fenômeno conhecido como “metilação do DNA”, capaz de silenciar genes cuja função seria identificar e bloquear o desenvolvimento do câncer.

“A metilação é um processo fisiológico, normal, que faz parte do silenciamento de inúmeros genes que devem ser inativados ao longo da vida”, explica Luciana. O gene estudado por ela foi o Foxe1, presente em diferentes espécies, que codifica proteínas com pelo menos 80% de similaridade em animais diferentes. Segundo Luciana, o gene já foi identificado em alguns animais e seres humanos.

“Esse gene tem sido estudado em humanos recentemente e possui influência no surgimento de diversas doenças, entre elas alguns tipos de neoplasias, como carcinoma de tireóide, carcinoma de células escamosas de pulmão e esôfago e adenocarcinoma pancreático”, diz.
Para o processo de análise, é realizada colheita de sangue nos animais. O DNA é tratado com bissulfito de sódio, substância que permite a identificação da metilação. Em seguida, é utilizada a técnica de PCR das amostras, para obtenção de milhões de cópias do DNA, a partir de uma pequena amostra do tumor. Após a análise das amostras, é realizado o sequenciamento do DNA.
“Observamos que a técnica para avaliar o padrão de metilação do gene em seres humanos pode ser utilizada para a mesma avaliação em cães, o que comprova a similaridade entre o genoma das duas espécies e a conservação desse gene ao longo da evolução”, explica Luciana.

Resultados da pesquisa

A identificação da situação do gene, devidamente correlacionada a sinais clínicos e a evolução da doença, permite presumir qual será o comportamento da enfermidade e sua reação diante de determinadas terapias.
“Dessa forma, podemos tomar decisões de tratamento e estabelecer o prognóstico do animal com base nos marcadores moleculares específicos para aquela doença. O trabalho que realizamos foi apenas o primeiro passo, e ele terá continuidade com a avaliação de um maior número de amostras e a correlação dos dados obtidos com o desenvolvimento da doença”, diz Luciana.

FONTE: http://www.planetvet.com.br

domingo, 2 de outubro de 2011

ELETROFORESE EM GEL DE CAMPO PULSANTE (PFGE)


PFGE é uma das técnicas mais utilizadas para análise de identificação de linhagens, bacterianas, fúngicas e de protozoário devido ser um método derivado da eletroforese convencional do DNA em gel de agarose, sendo a principal diferença a mudança repetida da orientação do campo elétrico. Esta mudança provoca o re-arranjo da estrutura conformacional da molécula, permitindo a sua migração no gel e a agarose mantém as moléculas de DNA intactas e ao mesmo tempo permite e difusão de detergente e protease. Esta movimentação obedece ao seguinte princípio: quando um campo elétrico é aplicado ao gel, as moléculas de DNA se alongam na direção do campo e migram no gel. Quando o primeiro campo é removido e um segundo é aplicado em relação ao primeiro, a molécula de DNA deve mudar sua conformação e re-orientação antes que ela possa migrar na direção do segundo campo elétrico O tempo necessário para que essa re-orientação ocorra é proporcional ao peso molecular do fragmento, sendo a re-orientação das moléculas maiores mais demoradas que a das moléculas menores. Existem Diversos equipamento no mercado, que empregam o campo pulsante, sendo que eles apresentam variações na geometria do campo elétrico.

Aplicam-se a PFGE em situações epidemiológicas, de doenças re- emergentes, (Exemplo: KPC, Tuberculose) Em que permite a caracterização e comparação molecular entre as cepas e se foi causada por uma infecção da comunidade ou por um agente patogênico nosocomial, consegue verificar se os responsáveis pelo surto são do mesmo clone ou são de clones diferentes se o cada paciente adquiriu a bactéria separadamente ou se receberam uma mesma bactéria de um mesmo local visando auxiliar em medidas racionais para controle a disseminação do microrganismo.

Combate às doenças respiratórias



Uma das doenças respiratórias mais graves para aves comerciais, provocada pelo metapneumovírus, pode ser impedida com a introdução de moléculas de RNA nas células infectadas. A técnica foi testada com sucesso pela médica veterinária Helena Lage Ferreira em laboratório. Pelos resultados obtidos e pelo histórico de trabalho associado à pesquisa de doenças respiratórias aviárias, que inclui estudos sobre a Gripe Aviária também, a cientista foi contemplada com  o Prêmio Fundação Bunge 2011, na categoria Juventude, no tema Defesa Sanitária Animal e Vegetal.

De acordo com Helena Lage, o metapneumovírus foi descoberto no final dos anos 70 e a técnica para combatê-lo, criada no começo dos anos 2000. Este invenção conferiu a cientistas estrangeiros o prêmio Nobel, em 2006. Entre 2004 a 2007, Lage desenvolveu sua tese de doutorado, testando o “Efeito da Interferência por RNA na replicação do metapneumovírus aviário subtipo A”. Este é um método que aplica moléculas de RNA nas células das aves infectadas pelo vírus. Este procedimento impede a reprodução do vírus e a manifestação da doença. O RNA é o responsável pela síntese de proteínas da célula e pode catalisar importantes reações biológicas no organismo.
Conforme explica, “as aves silvestres são hospedeiros naturais destes vírus, não apresentando problemas respiratórios provocados por ele. No entanto, especialmente galinhas e perus, típicas aves de produção, são mais sensíveis e acometidos pelo problema”. Embora tenha registrado grande sucesso, a técnica ainda não passou a ser utilizada comercialmente, pelo custo que representava. “O mesmo sistema, no entanto, passou a ser aplicado para o combate ao metapneumovírus humano”, afirma Helena Lage. A especialista Adriana Riccetto, mestre e doutora em Saúde da Criança e do Adolescente, explica que sua aplicação em humanos é ainda experimental; estudos clínicos estão sendo desenvolvidos para aplicação clínica futura. Desde 2004, há estudos sobre o uso da Interferência de RNA para diversos vírus que causam doenças respiratórias, como o coronavírus, adenovírua, influenza e vírus sincicial respiratóri. A aplicação, conforme os estudos, é, principalmente, intra-nasal, que aparentemente tem bons resultados. Aguardam-se novos estudos para o uso clínico rotineiro.

Gripe Aviária
O histórico de trabalho de Helena Lage inclui ainda um estudo sobre a gripe aviária, relacionado ao que é denominado de escape viral. A médica veterinária identificou que no tipo H5 (existem 16 tipos de hemaglutinina –HA) nos influenza vírus), encontrado esporadicamente em seres humanos, um dos aminoácidos da proteína HA se modifica após a transmissão de hospedeiros.”Não há um vírus exatamente igual ao outro e isso dificulta a criação de uma vacina”, afirma. Este estudo conferiu à cientista um prêmio em 2009, no 7th International Symposium on Avian Influenza.

FONTE: http://www.aviculturaindustrial.com.br

FHemoam anuncia novo exame de biologia molecular


O prazo para a detecção de doenças presentes em bolsas de sangue doadas no Amazonas deverá ser reduzido. A Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) informou que, até o final do ano, irá começar a realizar exames de biologia molecular no sangue doado pela população para detectar se há a presença de algum vírus.
 De acordo com o diretor-presidente da FHemoam, Nelson Fraiji, atualmente, nos exames sorológicos realizados pela instituição, algumas doenças são detectadas em um prazo de até 70 dias. Com a realização do exame molecular, esse prazo deve passar para 20 dias. O diretor informou que a conclusão dos trabalhos de instalação do laboratório onde os exames serão realizados deve acontecer em três meses e os primeiros testes no sangue doado serão realizados até dezembro.
 A preparação do hemocentro para a realização do exame será um dos temas que serão discutidos amanhã e sexta-feira, no Workshop de Reestruturação da Rede Hemoterápica da Amazônia Ocidental, que será realizado no hotel Da Vinci, em Manaus. Segundo Fraiji, além do material coletado no Amazonas, o laboratório montado na FHemoam também irá realizar testes em materiais encaminhados por hemocentros de Rondônia, Acre e Roraima. “Iremos discutir nesse workshop todas as medidas que precisamos adotar para o recebimento do material desses estados.
Esse é um exame sofisticado que está em implantação em todo o País”, apontou. O diretor explicou que esse exame é mais seguro porque detecta a existência do DNA e RNA do vírus ou qualquer tipo de doença que esteja presente no sangue. Nas coletas feitas pela unidade no Amazonas, as doenças mais comuns detectadas é a presença do vírus da hepatite e malária. Além da realização do exame, também deverá ser discutida, amanhã, a implantação de oito pólos da FHemoam no interior do Amazonas. Segundo Nelson Fraiji, serão estruturadas, a partir do ano que vem, unidades do hemocentro em municípios como Parintins, Itacoatiara, Coari, Tefé, Tabatinga, Humaitá e São Gabriel da Cachoeira. Nas unidades será possível fazer o desmembramento do sangue, como a separação de hemácias e plaquetas, o que é feito atualmente somente na sede do órgão em Manaus. Representantes dos hemocentros de toda a região Norte e da Fiocruz devem estar presentes no evento.