sexta-feira, 9 de setembro de 2011

DNA de bactérias e perícia criminal

                Pesquisas com a composição da microbiota das mãos das pessoas têm mostrado que existe uma configuração individual de microrganismos, ou seja, cada indivíduo possui uma composição de bactérias praticamente única. Sendo esse dado válido até mesmo para gêmeos univitelinos, que são os únicos indivíduos que possuem o mesmo DNA. Dessa forma, além de se utilizar o DNA humano para a identificação de suspeitos de crimes, o material genético bacteriano surge como uma potencial ferramenta para auxiliar os peritos criminais.

                Outro fator relevante, é a quantidade de DNA, em locais que não se encontram sangue, saliva ou algum outro material humano em dosagens mínimas, não há DNA suficiente para a realização de testes de identificação forenses. Já para se conseguir uma boa quantidade de material genético bacteriano basta apenas recolher células, desses organismos, das superfícies tocadas pelo possível criminoso.

                Na primeira parte da pesquisa, foram comparadas amostras de bactérias recolhidas em três teclados de computador e nos dedos dos respectivos donos. Após analisar o DNA bacteriano, o grupo concluiu que o material genético dos dois tipos de amostras era similar. Quando a comparação foi feita com outros 15 teclados nunca tocados pelos três voluntários, não houve o mesmo grau de correspondência.

                Devido a todas as vantagens, existe muita expectativa com relação a esse trabalho, que apesar de estar em fase inicial de experimentação, já mostrou resultados significativos. Agora, depois de ter movimentado o mundo com o Projeto Genoma Humano, cientistas já vislumbram o Projeto Genoma da Microbiota Humana, que mesmo sendo novidade para muitos, já se mostra ter um futuro promissor. E além de complementar as análises forenses, contribuirá nas diversas áreas da microbiologia e medicina, levando um novo enfoque para a bioética, uma vez que características humanas estarão em estudo. Portanto, os microrganismos, mesmo sendo tão simples em composição, demonstram, a cada dia, serem de suma importância para a ciência.